Idioma: Português
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Obras do século dezenove serão exibidas num diálogo com obras contemporâneas.
A Quadratura do Cone/Border Jam tenta responder às perguntas atuais sobre o conceito de região, estabelecendo um diálogo com a mostra histórica da arte do século XIX. Procura-se sugerir, de maneira impactante e metafórica, as tensões nas fronteiras físicas, sociais, culturais e mentais pelas que nossa época atravessa.
A aproximação curatorial de A Quadratura do Cono não será específica: não procurará comentários diretos aos processos históricos do século XIX, mas apresentará obras que se refiram, de maneira complexa, crítica e provocadora, aos resultados destes processos – fronteiras, estados, nacionalismo, estruturas de poder – conforme sentimos hoje em dia, e à presença de problemas similares no mundo contemporâneo.
Neste sentido, e seguindo os eixos de análise que o ERA 2007 busca, a mostra procurará discutir a região como um âmbito social e cultural de solidariedades e exclusões, não inscrito necessariamente em limites territoriais. Além disso, criticará a idealização de toda região por cima das diversidades e contradições que a constituem, vendo-a como um cenário conflituoso e, com freqüência, em tensão pelas mudanças trazidas pela globalização e pela expansão das comunicações. A aproximação dessas questões será geral, com ênfase em suas ressonâncias no mundo atual.
A Quadratura do Cone/Border Jam reunirá 18 artistas de 11 países. As obras serão apresentadas tanto em salas de exibição específicas para este projeto como dentro do projeto histórico, em espaços públicos de outras instituições e em diferentes âmbitos urbanos.
Conceitos-quadro do roteiro curatorial: A Quadratura do Cone/Border Jam
1. A região como um âmbito de relacionamento social amplo, mas não necessariamente inscrito em limites territoriais.
2. A região como imaginário carregado de utopias e antiutopias, como um cenário incontrolável de fatalidades, onde os monólogos estão por cima dos diálogos e as fricções por cima das supostas "irmandades".
3. A região como lugar político, isto é, como âmbito de interconexão das pólis urbanas onde se justapõem as "culturas letradas" e as "culturas marginalizadas". Simultaneamente um território de solidariedades e de exclusões sociais.
4. A região como fronteira – a fronteira como região. As "culturas de fronteira" têm hoje um papel protagonista específico em todo o mundo, e particularmente na América Latina.
5. A região como conceito idealizado por cima das nacionalidades que a constituem, através de uma história fundacional comum marcada pelo protagonismo heróico de certas individualidades.
Artistas:
Mónica Bonvicini, Claudia Casarino, Claudio Correa, José Damasceno, Lucía Egaña, Shilpa Gupta, Mona Hatoum, Ricardo Lanzarini, Cristina Lucas, Teresa Margolles, Amalia Pica, Miguel Ángel Ríos, Osvaldo Salerno, Fernando Sánchez Castillo, Santiago Sierra y Vibeke Tandberg