Magacín digital de cultura contemporánea
AÑO 20 - Miércoles, 8 de Abril de 2026 a las 10:47:44 - Madrid (Spain-Europe)

TRADUCCIÓN

Joana Vasconcelos no MUSAC (Existencias)
© Joana Vasconcelos
Coração Independente Preto (2006)
Cortesía Atelier de Joana Vasconcelos y MUSAC
Compartir
Idioma:  Português
Lúcio Moura
O MUSAC inaugura a exposição Existencias, uma selecção de obras dos mais de 200 artistas nacionais e internacionais que integram a colecção. Não obedecendo a um tema concreto, a exposição situa-se entre a acção própria implícita ao coleccionismo, ou seja, opta por um modo acumulativo de apresentação fazendo referência aos salões e gabinetes barrocos ao seguir o conceito próprio da colecção institucional: multidisciplinaridade na construção do acervo numa lógica de “armazém” museográfico. Joana Vasconcelos está representada na colecção e na exposição com a obra Coração Independente Preto (2006).

Todos os temas, todas as obras, todos os autores de todos os géneros possíveis aparecem confundidos num espaço concebido como galáxia ímpar de surpresa e excesso. Traça-se um caminho de sugestões no qual o espectador necessariamente se envolve ao (re) descobrir a obra contemporânea numa situação não linear e na qual evoca a sua experiência pessoal para uma leitura livre de dogmas.

A mostra ocupa todo o espaço expositivo do museu – mais de 4.000 metros quadrados em 5 salas, Laboratório 987 e o Projecto Vitrinas. Será editado um catálogo da exposição com textos de Rafael Doctor.

JOANA VASCONCELOS
“CORAÇÃO INDEPENDENTE PRETO”


Uma das marcas sinalizadoras da obra de Joana Vasconcelos reside na regular apropriação, citação e subversão de elementos oriundos da cultura popular e da produção em massa. A partir destas operações de deslocação, a artista oferece-nos uma visão cúmplice, mas simultaneamente crítica da sociedade de consumo e dos vários aspectos que servem os enunciados de identidade colectiva, em especial aqueles que dizem respeito ao estatuto da mulher, diferenciação classista, ou identidade nacional.

“Coração Independente Preto” convoca dois símbolos de tradição portuguesa – o Fado (1) e o Coração de Viana – e objectos de produção industrial – talheres de plástico pretos (2)-, para questionar a diferenciação valorativa, ainda existente, entre cultura popular e cultura de elite, ou entre objecto de luxo e objecto vulgar. Ao multiplicar o uso de talheres de plástico, até à abstracão da sua forma original, para os converter num objecto diverso que remete para a tradicional peça de filigrana portuguesa conhecida como Coração de Viana, os referentes inicais surgem transfigurados por novos esquemas sociais e artísticos sugeridos (3). Ao invés de propor a produção de novos significantes, Joana Vasconcelos opta por introduzir, através de uma engenhosa e inteligente sabotagem das funções no uso do objecto, significados diferentes.

Lúcio Moura
Lisboa, 11 de Setembro de 2007

1.- O fado “Estranha Forma de Vida” da autoria de Alfredo Duarte (Marceneiro) e Amália Rodrigues invoca o conflito entre emoção e razão: “(…) Que estranha forma de vida/ tem este meu coração/ vive de forma perdida/ Quem lhe daria o condão?/ Que estranha forma de vida/ Coração independente/ Coração que não comando/ vive perdido entre a gente/ teimosamente sangrando/ coração independente (…)”.
2.- O preto alude à morte. Existem duas outras versões – “Coração Independente Dourado” (2004) e “Coração Independente Vermelho” (2005) -, em dourado e vermelho, cores que correspondem, respectivamente, à riqueza e ao amor.
3.- “Se a maior parte dos objectos que Joana Vasconcelos utiliza pouco valor comercial tem, a sua mais-valia simbólica excede largamente o seu valor material”. LAGEIRA, Jacinto, op. cit., p.18.

Para mais informações
http://www.joanavasconcelos.com/
NOTICIA ORIGINAL

MANTENIDO POR

nexo5_lamolicie.png

© nexo5.com :: All rights reserved :: Since Sep 20, 2006 -